Cátia Rodrigues

Descobre porque queres mesmo, MESMO ficar em forma… mas desistes ao fim de 1 mês.

Conheces alguém que diz que é mesmo desta que vai ficar em forma, mas desiste sempre ao fim de pouco tempo? Envia-lhe este artigo… Ou és o tipo de pessoa que tão facilmente mete na cabeça que vai ficar em forma, como facilmente desiste da ideia? Anda cá… Não fujas! Sim, este artigo é para ti e pode dar-te uma perspetiva simples e prática para começares finalmente a ter resultados 😉 Descobre como podes deixar de desistir de ficar em forma.

Ao longo da minha experiência profissional como Personal Trainer e, mais tarde, como Treinadora de Bem-Estar, sempre tive dificuldade em encaixar e perceber o mindset do tipo de cliente que me chega, muitas vezes eufórico, cheio de esperança e otimismo, de vontade de mudar para um novo eu, mais leve, saudável, em forma… mas que ao fim de um ou dois meses desaparece na linha do horizonte sem deixar rasto. Parece-te familiar? Sim, por incível que pareça, a tendência é a de estas pessoas desistirem muito facilmente do seu objetivo, daquele objetivo que foi o que o levou até um Treinador ou Nutricionista, com grande ânsia de mudar e de atingir a sua melhor forma – em alguns casos com resultados tão brilhantes em tão pouco tempo. Isso sempre me trouxe alguma frustração, tal como a outros colegas de profissão, sendo tema comum de conversas de back-office, não pelo nosso trabalho poder ser posto em causa, mas sim por percebermos que quem desiste tão facilmente de um objetivo que lhe era tão querido e do qual falava com tanta paixão e entusiasmo, entrou em auto-boicote e começou a mudar o seu discurso interno e a deitar tudo a perder, tudo o que queria. A nossa mente pode ser o nosso melhor aliado ou o nosso pior inimigo…

Recentemente li uma frase deliciosa que dizia que “a diferença entre uma obrigação e um compromisso é que uma obrigação vem do exterior de nós e um compromisso vem de dentro de nós. Reduz as tuas obrigações. Fortalece os teus compromissos”. Isso fez-me muito sentido!

Uma das últimas formações a que assisti na área do Desenvolvimento Pessoal, trouxe-me maior clareza para entender porque é que este comportamento é tão comum…

Observa o seguinte quadro. Nele constam 4 quadrantes: Alta Energia, que podemos dividir entre negativa (raiva) e positiva (alegria); e Baixa Energia, que podemos dividir entre negativa (tristeza) e positiva (calma).

Ora, a maioria das pessoas, quando decide fazer dieta, começar a treinar, mudar hábitos de estilo de vida, encontra-se muitas vezes no quadrante da “Alegria“, ou seja, alta energia no estado positivo: “Agora é que vai ser!”; “Isto vai correr bué de bem! Agora é que vou ficar fit. Estou cheio de pica para começar! Tem tudo para correr bem desta vez, porque estou muito motivado!” Esta pessoa pode-se encontrar neste estado eufórico, seja porque o Verão está aí à porta, seja porque andou a ouvir e remoer comentários depreciativos durante muito tempo por parte de familiares, do seu marido ou esposa, ou no seu próprio discurso interno (quadrante da raiva), seja porque algo vago e pouco claro despertou nela e a inspirou para mudar, algo volátil do tipo “fogo de palha”. (Só que ela não sabe).

Esta pessoa está tão alegre, positiva, que não encaixou na sua mente que vai ter que mudar hábitos e rotinas diárias, que se calhar isso implica coisas aborrecidas a que não estava habituada, que vai ter que passar a ter a alimentação e o treino como prioridades no seu dia-a-dia, que vai ter que dizer que não quando lhe oferem doces e bolos no trabalho, que vai ter que passar a comer um prato simples com proteína e vegetais e abdicar de comer sobremesa, quando vai comer fora, etc. Em suma, a pessoa neste estado vê tudo côr-de-rosa e não interiorizou ainda que vai necessitar de fazer pequenas mudanças que vão fazer toda a diferença para atingir os resultados que quer. Ser os quiser ter… Então, movida a “alta energia positiva“, esta pessoa pode ter resultados fantásticos em pouco tempo. Só que em vez de isso a deixar ainda mais motivada na conquista do seu objetivo, na realidade à medida que o tempo passa ela começa a esmorecer, por diversas razões. Seja porque tem que reservar tempo do seu dia para se organizar e preparar comida saudável e isso começa a ser visto como um fardo; seja por que não estava habituada a comer determinados alimentos que não lhe sabem a nada, quando comparados com o que comia anteriormente; seja porque percebe que afinal isto de treinar de segunda a sexta-feira afinal não é vida para ela; ou porque percebe que tem que abdicar de algo na sua vida familiar ou social que não lhe ocorreu sequer quando decidiu e que se calhar a está a começar a mexer com o seu psicológico e a fazê-la sentir culpada u em falta com alguém… E, mesmo que esteja a ter ótimos resultados com o objetivo a que se propôs e que a levou à decisão de mudar e procurar a ajuda de um profissional, muito provavelmente esta pessoa vai desistir do seu objetivo, quando parecia ter tanto potencial.

Na realidade, não é na fase de “alta energia positiva”, da Alegria, que devemos tomar quaisquer decisões, incluindo mudar hábitos de estilo de vida e rotinas diárias de alimentação e treino. Em vez disso, devemos passar para o quadrante de baixo, da “baixa energia positiva”, a zona da Calma, relativizar um pouco as nossas expetativas e puxarmos pelo nosso lado mais ponderado e sensato. Isto é, devemos sentar-nos para refletirmos calmamente e ganharmos clareza sobre a nova rotina que nos vai levar ao nosso objetivo. E, por fim, devemos avançar ainda um pouco mais para a esquerda, para onde ficamos desconfortáveis e temos que analisar toda a parte chata e “burocrática” do objetivo a que nos propusemos inicialmente, que implica a decisão de ficar em forma, que é o nosso objetivo: o quadrante da Tristeza.

E é aqui que devemos colocar-nos perguntas realistas e práticas, como:

  • “Vou ter dinheiro para começar a pagar um ginásio todos os meses? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou ter os treinos diários como prioridade na minha vida?  (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou arranjar tempo para cozinhar e preparar as minhas marmitas e batidos diariamente todos os dias? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou ter dinheiro para comprar os alimentos saudáveis que devo comprar, para poder ficar em forma? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou ter dinheiro para investir em suplementos , em roupa e calçado adequado ao treino? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou realmente conseguir seguir a dieta e treinar mesmo quando estiver a sentir-me cansad@ ou desmotivad@? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou realmente conseguir ter força de vontade para resistir aos bolos e gulodices que levam diariamente para o trabalho e que “toda a gente come”? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Vou ter realmente força de vontade e auto-estima suficiente para deixar os meus filhos com o pai ou os meus sogros para eu poder ir treinar uma hora ao ginásio? (repara que não coloquei uma data para terminar. Yep, não é temporário, é mesmo para continuar )
  • Etc…

Decidi escrever este artigo, porque algo tão simples como compreenderes o que escrevi em cima pode mudar a forma como te relacionas com o objetivo sazonal, tão típico, de ficar em forma, levando a menos frustração, menos sensação de vergonha por teres desistido, menos probabilidade de mandares dinheiro ao lixo, só porque decidiste de cabeça quente que ias ficar em forma, sem pensares no que é que isso, na realidade, implica, que é um compromisso contigo mesma e que tem que vir de dentro e que tem que ser sustentável no tempo, para a vida. Sim, para a vida! Ninguém a não seres tu pode definir com clareza o porquê de quereres ficar em forma; ninguém além de ti te pode motivar ou obrigar a seres disciplinada, porque és tu quem tem a resposta sobre qual é a tua grande motivação e é a tua grande motivação que vai trazer disciplina; ninguém a não seres tu sabe se tem os recursos financeiros, emocionais e disponibilidade para encetar a conquista da tua melhor forma física de sempre. O poder de decisão é todo TEU. E é quando sais do papel de vítima e te tornas dona da própria vontade que os resultados duradouros que tanto ambicionas aparecem.

 

 

 

 

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