Cátia Rodrigues

Empoderamento: 4 boas razões para resgatares JÁ o teu poder pessoal

Trabalhando sobretudo com mulheres e sendo eu também uma mulher atenta ao que se passa à minha volta, e uma leitora assídua de livros intimamente relacionados com a condição feminina em diversas culturas e países, dei por mim a pensar como o corpo da mulher, na nossa sociedade, ainda é tão tradicionalmente criticado e apontado como sendo fonte de culpa para as mulheres. Quase ousaria dizer que é no corpo que as mulheres carregam a culpa de todas as gerações de mulheres que viveram antes de nós. Nós somos o atual resultado da consciência dessas mulheres.

A mulher foi associada durante séculos ao pecado e a realidade é que existe todo um contexto secular castrador para as mulheres. O que paira no nosso inconsciente coletivo é muito forte e tem raízes profundas nas religiões e na sociedade essencialmente patriarcal e nos seus dogmas (in)questionáveis.

No mundo moderno ocidental, observo e cada vez mais concluo que muitas mulheres inconscientemente se escondem com medo do seu poder pessoal, com medo de serem poderosas, de serem bonitas, de terem corpos esbeltos, de se cuidarem e atraírem atenções, de assumirem toda a luz e esplendor das mulheres que são, em todo o seu potencial multidimensional. Sim, muitas têm medo e escondem-se… Umas escondem-no debaixo de roupas largas; outras escondem-se por detrás de aparente desleixo com a sua aparência física; outras escondem-se por detrás de companheiros tóxicos que limitam o seu crescimento e o seu brilho pessoal; outras escondem-se com uma camada gordura corporal que as protege do mundo exterior. Por baixo dessas máscaras, pode esconder-se uma mulher que gostava de brilhar, de se soltar e ser ela própria, de se divertir, mas não se permite. Alguém lhe ensinou que não merecia, que não era para ela, que a vida é feita de deveres e obrigações, que devia ser uma mulher séria para ser respeitada e levada a sério, que devia seguir uma lista de coisas que “todas as mulheres devem fazer”, para serem aceites pela sociedade, independentemente de isso a fazer feliz ou não. E ela acreditou e viveu uma vida inteira a pensar que não era merecedora de coisas boas e dos prazeres da vida.

Por outro lado, já repararam o quanto o corpo feminino é alvo de análises e críticas, incluindo de mulheres para outras mulheres? Não há muito tempo, uma atriz Portuguesa desfilou na passerelle e foi arrasada por bloggers. Chamaram-lhe gorda, disseram que não devia ter desfilado e que o seu lugar não era ali. Quantas revistas atuais não nos falam do corpo ideal das mulheres; do “corpo de biquini” para o verão; do que os “homens gostam no corpo de uma mulher”; do que mais os atrai no corpo feminino? Quantas mulheres não se sentem pequeninas e inúteis ao lerem aquilo. tão longe que se sentem de atingirem aquele “ideal” de beleza? Mas por que raio os nossos corpos são tão alvo de comparações, pressões, críticas, castrações, punições por parte de toda a gente?

Vivemos num constante jogo psicológico, desde muito cedo, entre as pressões da nossa sociedade sobre o corpo feminino – o teu, o meu e o das outras mulheres. Desde muito cedo, nos apercebemos que existem homens que acham que estão no direito de verbalizar o que quer que seja do corpo alheio, como se fosse terreno público e existem mulheres que se acham também no direito de verbalizar o que quer que seja do corpo alheio, como se fosse terreno público. Eu própria vivi isso na primeira pessoa e sei o quanto custa ouvir certos comentários que não pedi para ouvir. E, do outro lado, está o corpo que temos na realidade, que a natureza nos deu, a nossa visão pessoal sobre ele, a forma como nos sentimos em relação a ele e as nossas próprias limitações pessoais, inclusivamente físicas.

Penso que, em Portugal, as mulheres sofrem bastante com as avaliações sobre a sua aparência logo desde a infância. E, à medida que vamos crescendo, o que quer que façamos, parece que está sempre mal feito. Em adultas, se as mulheres se arranjam são mal faladas porque se arranjam. E quem fala mal dessas mulheres que se arranjam e se cuidam? Outras mulheres… Não é fácil ser mulher e falta sororidade entre as mulheres.

Muitas mulheres vivem presas a um eterno dilema em relação à forma como cuidam da sua aparência e do seu corpo e que tem a ver com a visão secular impura do corpo feminino propagada sobretudo pelas religiões; com a visão de agradar e servir aos homens propagada sobretudo pelos Media, mas também no seio das próprias famílias e grupos de influência; e com a visão de serem bem vistas e aceites por outras mulheres, para fazerem parte do grupo sem que sejam vistas como ameaças para elas ou para os seus maridos.

Há uns tempos li um livro maravilhoso de Wallace D. Wattles, que exprime da forma mais completa aquilo que penso sobre o Todo que somos e o Todo que somos, inclui o nosso maravilhoso corpo, do qual devemos usufruir sem medos:

“Existem três motivos para os quais nós vivemos: nós vivemos para o corpo, vivemos para a mente e vivemos para a alma. Nenhum deles é melhor ou mais sagrado do que o outro; todos são igualmente desejáveis, e nenhum dos três – corpo, mente ou alma – pode viver completamente se qualquer uma das outras partes for suprimida da plena expressão.
Não é certo ou louvável viver somente para a alma e negar a mente ou o corpo, e é errado também viver para o intelecto e negar o corpo ou a alma. Nós todos estamos familiarizados com as indesejáveis consequências de viver para o corpo e negar a mente e a alma; e nós vemos que viver realmente significa a plena expressão de tudo o que uma pessoa pode levar adiante através do corpo, da mente e da alma. Seja o que for que possamos dizer, ninguém pode ser realmente feliz ou satisfazer-se sem que o corpo viva plenamente, em cada uma das suas funções, e o mesmo acontece para a mente e para a alma. Onde quer que exista uma possibilidade suprimida ou uma ação não executada, existe um desejo insatisfeito.
O desejo é a capacidade à procura de expressão, e ação à procura de desempenho.” 

Para mim, nós somos seres holísticos e completos e corpo, mente, alma devem trabalhar em sinergia para vivermos vidas plenas.

Deixo-te de seguida uma lista de boas razões para te empoderares e começares a resgatar JÁ o teu poder pessoal (e viveres a tua vida de uma forma mais leve e prazerosa)

1 – Independentemente da forma do teu corpo, da forma te comportes ou vistas nunca irás agradar a toda a gente. E está tudo bem 🙂

Quem diz muitas vezes “sim” aos outros, provavelmente diz muitas vezes “não” a si mesmo. A primeira pessoa a quem tens que agradar és TU; a primeira pessoa em cujo bem-estar deves pensar quando acordas de manhã, antes de te ires deitar és TU ou face a qualquer decisão que devas tomar durante o dia és TU. Aprende a ser assertiva no que toca a defender os limites a partir dos quais permites que outras pessoas te dêem feedback sobre o teu corpo ou a forma como te vestes ou não. E aprende a fazer, acima de tudo, apenas o que gostas e te faz sentir bem, para ti e não para agradar a ninguém. Se agradar a pessoas cuja opinião valorizas, tudo bem. Se não agradar, tudo bem na mesma.

 

2 – Todas as mulheres são bonitas. Algumas apenas ainda não descobriram isso!

Certamente já te cruzaste com alguma mulher na rua e pensaste: “que mulherão!”, e não foi por causa de ela ter um físico perfeito ou de ser a mulher mais bonita que já viste. Fisicamente ela não era uma Barbie, mas o impacto que ela teve na sua passagem foi “UAU!”, pela energia que emanava.

Recentemente estive em Paris e estava a passear pelos campos Elísios acompanhada por um casal amigo, quando reparei que à minha frente ia uma mulher na casa dos 40 anos muito vistosa. Ela estava acima do peso ideal, mas isso não a impediu de ser notada. Caminhava pela rua de uma forma muito segura e leve, o seu cabelo loiro estava muito bem cuidado e devidamente penteado e esta senhora estava elegantemente vestida com roupa preta justa que lhe caia lindamente. Não consegui ver-lhe o rosto nem perceber se estava maquilhada, mas toda sua postura auto-confiante, o seu bom gosto, a sua leveza, conferia-lhe carisma. Não pude deixar de interromper a conversa com o casal que me acompanhava para lhes dizer: “Olhem esta senhora que vai aqui à minha frente. Isto é que eu considero ser uma pessoa elegante”.

Eu acho que uma mulher elegante é uma mulher que descobriu o seu valor pessoal e cuida dele como o bem precioso que é. Ela ama-se, ela cuida-se, ela tem uma auto-estima saudável, ela é auto-confiante…

Se não te achas bonita, podes trabalhar a tua auto-estima e merecimento para começares a gostar de ti mesma. Existem imensas ferramentas que te podem ajudar. As minhas favoritas e as que usei em mim mesma foram o Método Louise Hay e os Florais de Bach.

 

3 – Tu és digna e merecedora de elogios. Sorri e agradece!

Eu adoro elogiar as pessoas quando algo lhes fica bem, quando aquele batom fica bem, aquela roupa, aquele corte de cabelo… Faço isso de uma forma genuína e espontânea a homens ou mulheres. Talvez porque faço o mesmo comigo mesma e talvez porque aprendi a ver isso como algo natural, quando fiz o curso de Hay Teacher. Noto que as mulheres Portuguesas nem sempre aceitam bem elogios. Parecem ficar desconfiadas e algumas têm reações absurdas. Vou dar dois exemplos:

Uma vez, quando estava a trabalhar num ginásio, uma colega minha que andava sempre de cabelo apanhado, soltou o cabelo numa altura em que estava a falar com ela, quando ela se estava a arranjar. E eu, sem pensar muito, disse: “Tens um cabelo tão bonito!” De repente, ela ficou com uma expressão muito séria e respondeu: “Obrigada. Ainda estou a aprender a receber elogios. É difícil para mim”. Essa resposta deu para falarmos um pouco sobre esse tema e o quanto por vezes os elogios não são bem vistos.

Numa outra situação, eu era proprietária de um espaço de terapias complementares, e estava a acompanhar uma cliente ao gabinete de uma terapeuta. Era Verão e elas estavam ambas vestidas com uns macacões lindíssimos, coloridos. Estavam lindas e maravilhosas e eu verbalizei isso, dizendo-lhes que aquela roupa lhes ficava muito bem! Não me recordo do que a cliente respondeu, mas não me lembro de ter ficado entusiasmada. E a terapeuta respondeu-me, em tom ácido: “Se quiser também pode comprar um para si e vestir-se assim” Dá vontade de rir, não é? Como um simples elogio pode mexer com alguém a ponto de pensarem que temos inveja delas ou que nos falta alguma coisa. Para mim, é exatamente o oposto. A forma como falo com os outros é o reflexo de como me trato a mim.

Tive uma colega Irlandesa no navio de cruzeiros onde trabalhei, que adotou um ritual diário muito engraçado, por sua iniciativa. Sempre que passava pelas colegas do Spa, eu incluida, ela tocava individualmente no braço de cada uma, olhava para nós e dizia: “You know hun? You look amazing today!” Nós achavamos imensa piada a isso e o facto é o que dia corria muito bem, com uma energia mais positiva, graças a um gesto tão simples, tão autêntico e tão simples.

Então, aprende a receber elogios. Aceita e sorri 🙂

 

4 – Está nas tuas mãos criares a tua própria definição de beleza e sentires-te bem com ela

Independentemente daquilo que te possam ter dito à medida que foste crescendo, não há nada de errado contigo nem com teu corpo. Não existe nada de impuro ou sujo no corpo, como muitas mulheres foram e são a educadas a acreditar, o que as faz viver de forma limitada e infeliz. Muitas vezes as crianças crescem inseguras porque são bombardeadas com as crenças e inseguranças dos seus pais e familiares diretos mais próximos, seja sobre a visão que têm do corpo, seja pela visão que têm sobre o sexo. Se foi o teu caso, analisa se o que te foi ensinado hoje em dia ainda faz sentido para ti. Se não fizer, liberta-te disso agora.

Sou completamente a favor de sermos iguais a nós próprias e acho maravilhoso quando temos a capacidade de nos auto-analisarmos e percebermos as nossas inseguranças, limitações, de onde viemos e também onde queremos chegar, a mulher que queremos ser. Essa consciência permite-nos avançar e evoluir.

Nos textos que publico, eu falo muitas vezes em “melhor versão”. Mas aquilo que considero ser a minha noção de melhor versão pode ser algo que tu não ambicionas para ti, pelas mais diversas razões, nem tem que ser. E isso é OK. Todas temos ambições diferentes na vida e isso também passa pela forma física. O ideal para mim não tem que ser o ideal para ti.

Para mim a melhor forma física de sempre não passa apenas pela estética, por estar na forma que eu quero e com a qual me sinto bem o ano inteiro, mas também pela minha agilidade física, força, saúde, qualidade de vida, bem-estar geral. O ano inteiro. É isso que eu quero que o meu corpo me dê e é para isso que treino, me alimento/nutro, cuido bem de mim. Eu também quero envelhecer de forma saudável e ativa e inspiro-me em mulheres que conheço pessoalmente, ou não, e me servem de exemplo nessa finalidade.

Eu atraio muitas mulheres que querem que eu as ajude a atingir a sua melhor versão. E sinto que, por vezes, não há o entendimento de que é um processo demorado e pessoal, porque no fundo se trata de uma transformação pessoal, de dentro para fora. e não podemos esperar atingir um determinado objetivo com a mesma mente que criou o desafio que queremos agora resolver rapidamente.

Aceita o estágio de vida em que te encontras, aceita o que não podes melhorar porque não depende de ti… e foca-te no que depende de ti melhorar. Isso vai-te trazer tranquilidade para iniciares a tua caminhada de transformação pessoal. Aprecia as qualidade que fazem de ti uma pessoa única, traz à consciência as características que possam ser consideradas menos boas e cria a tua própria definição de beleza.

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