Cátia Rodrigues

Assoalho Pélvico & Low Pressure Fitness

Se eu te pedisse para levantares o dedo polegar, tu saberias como levantar o dedo polegar; se te pedisse para mexeres os dedos dos pés, tu saberias como mexer os dedos dos pés; se te pedisse para contraíres os glúteos, também saberias como contrair essa musculatura. Todos os casos que referi tratam de partes do corpo de que se fala e que são do conhecimento comum. Agora, imagina uma mulher estar em pleno trabalho de parto e alguém lhe pedir para relaxar o pavimento pélvico? Isto é uma realidade para muitas mulheres, sendo que a grande maioria desconhece por completo a sua anatomia, bem como de que forma pode ativar ou relaxar determinadas regiões.

O assoalho pélvico é o chão da bacia. Consiste num conjunto de músculos em forma de rede que sustenta e suspende os órgãos pélvicos, como a bexiga e intestino, útero e ovários, no caso das mulheres, e o próstata, no caso dos homens. Também fazem parte desse conjunto os esfíncteres, estruturas que relaxam e contraem para permitir ou impedir a passagem de urina, fezes e gases. Trata-se de músculos que circundam o ânus e pénis/vagina, desempenhando também um importante papel na atividade sexual, estando diretamente relacionado ao orgasmo vaginal ou à ereção masculina.

Embora nem nos apercebamos, nós usamos esta “rede” o tempo todo, sendo essencial cuidarmos bem dela para que cumpra as suas funções no organismo, sobretudo porque, à medida que envelhecemos,  tal como acontece com outros músculos do nosso corpo, o tónus muscular vai se alterando e esta região tende a perder vigor. O facto de se ser mulher, de se passar por uma gravidez e um parto, seja ele vaginal ou por cesariana, bem como algumas doenças, como sejam a diabetes, a obesidade e a hipertensão, tendem apiorar esse cenário.

Cirurgias ginecológicas ou de retirada da próstata também podem provocar problemas nessa região, bem como outras situações que aumentam a pressão dentro do abdómen, como tosse constante, o levantamento de pesos e a prática de ballet, ginástica acrobática, corrida, qualquer actividade física mal orientada, crossfit e outros desportos de alto impacto. Este tipo de modalidades podem acarretar em um grande aumento da pressão intra-abdominal e consequentemente intra-pélvica , empurrando os órgãos pélvicos para baixo e fazendo também com que se tenha perda de urina involuntária cada vez que aumenta a pressão interna, seja fazendo exercícios ou até mesmo tossindo ou espirrando.

O enfraquecimento, ou uma lesão no assoalho pélvico, pode ocasionar complicações como obstipação e incontinência fecal, dores nas costas, além de disfunções sexuais. Pode ainda ter relação direta com problemas do sistema urinário, como incontinência ou bexiga hiperactiva. Em estágios mais avançados, o desgaste muscular desta região pode até proporcionar o prolapso de órgãos como a bexiga ou o útero, o que poderá requerer uma intervenção cirúrgica.

Felizmente é possível atenuar ou até mesmo prevenir essa lista de potenciais problemas de saúde, fortalecendo o assoalho pélvico, sendo necessário, para isso, exercitara consciência corporal.

Além do papel fundamental da fisioterapia ginecológica como ponto de partida para uma avaliação mais rigorosa sobre o estado do pavimento pélvico, obrigatória sempre que já existam sintomas de disfunção, bem como dos famosos exercícios do Método Kegel, a prática de exercícios de Low Pressure Fitness, modalidade ainda pouco divulgada nos ginásios, constitui também uma excelente ferramenta para quem pretenda aprender a fortalecer o pavimento pélvico, bem como a prevenir e tratar sintomas relacionados com o enfraquecimento desta região.  Trata-se de um sistema de treino respiratório e postural inovador, resultado da libertação miofascial, da neurodinâmica, da reeducação postural, do Yoga, de técnicas respiratórias e da técnica hipopressiva com a metodologia didática mais avançada em ciências do exercício físico. Esta prática holística e revolucionária tem como objetivo de desenvolvimento da musculatura do tronco: a musculatura mais profunda da região posterior e região abdominal, de forma a oferecer uma estabilização eficaz e capaz de responder aos aumentos de pressão intra-abdominal prevenindo o aparecimento de lesões, entre as quais se encontram as disfunções do pavimento pélvico (ex.: incontinência urinária por esforço, prolapsos dos órgãos pélvicos…) etc.

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